Pele de tilápia será enviada ao espaço pela Nasa

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Alvo de estudos do médico pernambucano Marcelo Borges há oito anos, material utilizado para cura de queimaduras chegará à estratosfera

Por: João Vitor Pascoal

Material será analisado após se submeter a condições novas de pressão, radiação e gravidade

Amostras de pele de tilápia, utilizadas na cicatrização de queimaduras no método criado por um médico pernambucano, serão levadas à órbita pela Nasa. Alvo de estudos de Marcelo Borges desde 2011, a pele do peixe de água doce foi uma das selecionadas pela Agência Espacial Norte-Americana para participar da competição global Cubes in Space. 

Facilmente encontrado em mercados, o material que diminui em 50% a dor da queimadura a um custo 57% menor que os tratamentos convencionais, será enviado em junho à estratosfera para testes que verificarão como reage sob condições novas de pressão atmosférica, radiação e gravidade. “Vai ser avaliado se a parte bioquímica, sobretudo o colágeno, sofre alguma alteração significativa que possa afetar na aplicabilidade da pele de tilápia como curativo biológico”, aponta Borges. 

Apesar de ter sido criado em solo pernambucano, o projeto teve que atravessar as fronteiras do Estado em busca de investimento. Após três anos batendo de porta em porta, Marcelo recebeu uma proposta do Instituto de Apoio ao Queimado, ONG cearense dirigida pelo também médico Edmar Maciel e, a partir do início de 2015, o projeto passou a ser desenvolvido dentro da Universidade Federal do Ceará, contando com financiamento de cerca de R$ 2 milhões da Companhia Energética do Ceará. 

Tilápia será enviada à estratosfera pela Nasa

Tilápia será enviada à estratosfera pela Nasa – Foto: Arte/Folha de Pernambuco

Desde então, são mais de 300 testes, ainda em caráter de pesquisa experimental, sem um único registro de processo infeccioso. A estudante Stella Marcia Carvalho, 23 anos, foi uma das pacientes submetidas ao tratamento experimental, após uma queimadura por fricção no pé esquerdo, ocasionada em 2018 por uma queda de cavalo. “Tive queimadura de segundo grau e o tratamento convencional era muito caro (em média R$ 350 por curativo). Foi viabilizado o tratamento da pele de tilápia e precisei de apenas um curativo, que usei por menos de duas semanas”, destaca. 

O caminho até a população
Curiosamente, a pele de tilápia sairá da atmosfera antes de conseguir entrar no Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com Marcelo Borges, o método está atualmente parado na Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa), dependendo “apenas” da indústria farmacêutica. “Falta a indústria querer investir em um produto inovador, mas com baixo valor comercial. Estamos tentando convencer que, mesmo com um baixo valor, ele tem um potencial de ganho em escala enorme”, ressalta. 

No melhor dos cenários, Marcelo espera encontrar dentro de alguns anos curativos gerados pela pele da tilápia nas prateleiras das farmácias e disponibilizados aos pacientes do SUS. “Em termos de compromisso e ganho social, o uso como curativo biológico no SUS seria o apogeu de toda essa pesquisa”. Em fevereiro deste ano, o método foi apresentado pelo Ministério da Saúde ao presidente Jair Bolsonaro, que destacou a eficácia do produto. “Mais de um milhão de pessoas sofrem queimaduras por ano no Brasil e somente andanças revelam o conhecimento e possíveis ajudas no tratamento de lesões. A pele da tilápia tem se revelado excelente neste tratamento”, afirmou o presidente, no entanto, sem mencionar a possibilidade de entrada do método no SUS.

Além da queimadura
O uso da pele de tilápia também já teve sua eficácia colocada à prova em casos de reconstrução vaginal de pacientes com Síndrome de Rokitansky (anomalia congênita do aparelho reprodutor feminino) e câncer pélvico, além de ter sido utilizado pela primeira vez este ano em uma cirurgia de redesignação sexual, realizada em Campinas (SP). Mas, de acordo com Marcelo Borges, o uso do material pode ir além. 

Por meio de uma verdadeira força-tarefa mundial, da qual participam 189 pesquisadores do Brasil, Colômbia, Equador, Guatemala, Alemanha e Holanda, outras frentes da aplicação estão sendo testadas. “Há estudos para a utilização da pele na construção de próteses biológicas de vasos, veias, artérias e válvulas cardíacas”, afirma.

Fonte –
https://www.folhape.com.br/noticias/noticias/cotidiano/2019/05/14/NWS,104854,70,449,NOTICIAS,2190-PELE-TILAPIA-SERA-ENVIADA-ESPACO-PELA-NASA.aspx

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