Lutador e professor de kickboxing no Recife morre após competição

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Uma competição de kickboxing terminou em tragédia no domingo (10), na cidade de Mogi das Cruzes, São Paulo. O lutador Rafael Beiton, 31 anos, morreu após passar mal depois de uma luta no torneio Ichiban. Professor em academias do Recife, Rafael foi socorrido e levado para o hospital, mas morreu na noite da segunda (11). De acordo com o laudo preliminar, o óbito foi provocado por um traumatismo cranioencefálico. Um boletim de ocorrência foi registrado pela família do lutador e a Polícia Civil solicitou a realização de uma necropsia no corpo do atleta.

Rafael era paulista, mas morava no Recife havia dezenove anos. Além de lutar profissionalmente, ele era professor de artes marciais na capital pernambucana. Rafael tinha três filhos pequenos. No último fim de semana, o atleta participava do Ichiban, evento que daria vaga para o WGP Kickboxing (uma das maiores organizações do esporte no Brasil) e para torneios na Holanda e na República Tcheca. Ele fez quatro lutas na competição, duas no sábado (9) e duas no domingo. Depois do último combate, ainda nas dependências do evento, ele sofreu um mal súbito, desmaiou e teve uma convulsão.

“Na última luta, durante os intervalos dos rounds, ele já estava passando mal e não reagia a alguns estímulos. Assim que acabou a luta, ele já desceu do ringue cambaleando e foi direto para o banheiro. Fui lá e falei com ele, mas ele disse que estava bem. Mas ele estava tremendo e com calafrios”, relatou  companheiro de equipe dele, o também lutador Carlos Gabriel. “Quando saí do banheiro, me falaram que ele tinha caído no chão. Prestamos socorro, chamamos o médico do evento e fomos para o hospital”, detalhou o colega.

Segundo ele, Rafael chegou à unidade de saúde sem responder a estímulos neurológicos e foi encaminhado direto para a UTI, onde foi entubado. Uma tomografia realizada em seguida apontou uma hemorragia grave no cérebro. Os médicos ainda tentaram reverter o quadro por meio de uma cirurgia, mas o lutador faleceu pouco depois.

Carlos também explicou que a preocupação com Rafael foi geral. “Até os adversários que lutaram com ele entraram em contato comigo para saber notícias dele. Foram lutas muito duras, ele levou muita pancada na cabeça. Ficou tonto, saiu machucado, com o nariz sangrando”, explica.

A família do lutador já está em São Paulo aguardando a liberação do corpo do Instituto Médico Legal de São Paulo. A esposa de Rafael, Zara Marques, falou sobre a falta que o esportista fará. “Ele era uma pessoa maravilhosa, gostava de ajudar todo mundo. Era um paizão e muito querido pelos alunos”. lamenta. “Foi a melhor pessoa que eu podia ter conhecido, era honesto, correto, muito esforçado. Rafael foi um guerreiro,uma pessoa que se superou e conseguiu vencer”, completa ela.

Procurada, a organização do Ichiban informou em nota que o evento seguiu todas as normas de segurança e exigências legais. “O evento Ichiban Kickboxing é supervisionado pela Confederação Brasileira de Kickboxing e seguiu todas as exigências nacionais e legais. No momento, estamos ao lado da família auxiliando os trâmites para fazer a transferência para o Recife, onde será realizado o velório e o sepultamento no cemitério Santo Amaro”, diz a nota. “Havia ambulância com socorrista, enfermeiros e médico lá. A CBKB possui seguro para os eventos e já acionamos”, acrescenta o promotor do torneio, Fábio Yoshinaga.

Surpreendidos com a notícia, alunos e companheiros de equipe lamentaram a perda do lutador. “Ele foi flanelinha quando criança nas ruas de São Paulo enquanto a mãe trabalhava como doméstica. Sofreu privações e passou a infância exposto a toda sorte de más influências. Ele tinha começado a viver o início de um sonho que infelizmente foi interrompido de maneira tão brusca. Da parte dos amigos, só nos resta guardar na memória os bons momentos”, falou o companheiro de equipe Moisés Magno.

“Ele era muito mais que professor: era nosso mestre, nosso exemplo de superação e com a convivência também se tornou um amigo muito querido. Sempre via o potencial de cada um dos alunos e incentivava a ir além do que a gente acreditava que podia e a não desistir diante das adversidades. Rafael tinha um coração gigante, uma pessoa super do bem e que já está fazendo muita falta entre nós”, lamenta a professora de educação física Bárbara Ventura, aluna de Rafael.

Rafael também era músico. No mundo do rap, ele era conhecido como Mc Gênio e participava de várias batalhas do ritmo em Pernambuco. Nas redes sociais, a morte dele foi bastante sentida pelos parceiros de música. “Aprendi muito com ele. Foi um dos que me incentivou a rimar na escadaria na época. Vai ser lembrado eternamente”, disse um internauta. “Descanse em paz, grande perda pra cena pernambucana”, comentou outro.

Fonte – https://www.op9.com.br/

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