Exército norte-coreano afirma ter autorização para ataque nuclear contra EUA

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O Exército advertiu que "o momento de uma explosão se aproxima" e que uma guerra pode eclodir "hoje ou amanhã" (KCNA/AFP Photo)A Coreia do Norte intensificou a sua retórica agressiva nesta quinta-feira, ao advertir que seu Exército recebeu uma autorização final para lançar um ataque contra os Estados Unidos, com a possibilidade do uso de armas nucleares.

O Estado-Maior do Exército norte-coreano indicou que havia manifestado formalmente a Washington que as ameaças americanas serão “esmagadas” utilizando “meios nucleares modernos, leves e diversos”, segundo o comunicado.

“A operação sem compaixão das forças armadas revolucionárias neste aspecto foi finalmente examinada e ratificada”, indicou.

O Exército advertiu na nota que “o momento de uma explosão (da situação) se aproxima rapidamente” e que uma guerra na península coreana pode eclodir “hoje ou amanhã”.

“Os Estados Unidos fariam bem em refletir sobre a grave situação atual”, acrescentou, considerando que o voo de bombardeiros B-52 e B-2 americanos sobre a Coreia do Sul são a origem do agravamento da crise.

Em uma rápida reação, a Casa Branca exigiu que a Coreia do Norte pare de fazer ameaças.

“A Coreia do Norte deve parar com suas provocações ameaças e se concentrar em respeitar suas obrigações internacionais”, disse a porta-voz do Conselho Nacional de Segurança, Caitlin Hayden.

“Vimos hoje a declaração da Coreia do Norte, novamente fazendo ameaças inúteis e pouco construtivas”, disse Hayden.

Hayden afirmou que esta “é uma nova mostra de uma longa lista de declarações provocadoras que só servem para isolar mais a Coreia do Norte do resto da comunidade internacional e comprometem seu objetivo de desenvolvimento econômico”.

Pouco antes do anúncio do Exército norte-coreano, divulgado nesta quarta-feira à tarde nos Estados Unidos, o Pentágono havia anunciado o deslocamento de uma bateria antimísseis THAAD para a ilha de Guam, de onde decolam os B-52 que sobrevoaram a Coreia do Sul.

Apesar do teste considerado um lançamento de míssil em dezembro, especialistas não acreditam que neste momento a Coreia do Norte tenha capacidade para atacar diretamente o território americano. No entanto, Pyongyang ameaçou atacar Guam e o Havaí e está em condições de atingir a Coreia do Sul e o Japão, onde estão posicionados 28.500 e 50.000 soldados americanos respectivamente.

– Bloqueio de Kaesong –

Nesta quarta, o governo sul-coreano havia informado sobre a decisão de Pyongyang de bloquear o acesso ao complexo de Kaesong, levando Seul a não descartar uma ação militar para proteger seus cidadãos.

O complexo de Kaesong, situado em território norte-coreano a 10 km da fronteira, foi aberto em 2004. Ele simboliza a cooperação entre as duas Coreias e constitui uma fonte essencial de renda para o Norte, um país comunista que manteve praticamente intactas suas estruturas políticas e econômicas da época da Guerra Fria.

“O Norte nos notificou esta manhã que só estavam autorizadas as viagens de volta de Kaesong e ficava proibida a entrada no complexo”, indicou o porta-voz do Ministério sul-coreano da Unificação, encarregado das relações entre os dois países separados desde a guerra da Coreia, de 1950 a 1953.

“Temos preparado um plano de emergência, incluindo uma possível ação militar” para garantir a segurança de seus cidadãos que trabalham em Kaesong, disse o ministro sul-coreano da Defesa, Kim Kwan-jin.

Dos 861 sul-coreanos presentes no complexo de Kaesong, 33 deixaram o local à tarde, mas centenas deles decidiram ficar para garantir o bom funcionamento das empresas.

O local, onde trabalham 53.000 norte-coreanos, sempre foi mantido aberto, apesar das repetidas crises na península, à exceção de um dia apenas, em 2009.

– Escalada da tensão –

O bloqueio de Kaesong ocorre no âmbito de uma escalada da tensão que começou em dezembro, com o lançamento de um foguete norte-coreano – considerado pelo Ocidente um teste de míssil de longo alcance – seguido em fevereiro pelo terceiro teste nuclear norte-coreano.

Como consequência, a ONU impôs novas sanções ao regime de Pyongyang, enquanto os Estados Unidos e a Coreia do Sul realizavam manobras militares conjuntas durante as quais Washington mobilizou aviões B-52, com capacidade de transporte de armas nucleares.

Em resposta, a Coreia do Norte ameaçou efetuar ataques de mísseis e bombardeios nucleares contra a Coreia do Sul e contra interesses americanos no Pacífico.

No sábado, Pyongyang declarou estado de guerra com o Sul e na terça-feira anunciou sua intenção de reativar um reator nuclear desativado em 2007, desafiando as resoluções da ONU que proibiam qualquer programa atômico.

Os Estados Unidos prometeram neste mesmo dia que defenderão e protegerão seus aliados sul-coreanos e o secretário de Estado, John Kerry, classificou de perigoso e irresponsável o comportamento do líder máximo norte-coreano, Kim Jong-un.

Situação explosiva

A tensão acionou o sinal de alerta da comunidade internacional.

A Rússia expressou nesta quarta-feira sua preocupação por uma situação que considera explosiva.

“O que está acontecendo sem dúvida preocupa a Rússia, porque é uma situação explosiva perto de nossas fronteiras no Extremo Oriente”, declarou o vice-ministro russo das Relações Exteriores, Igor Morgulov.

“Na situação atual muito tensa, basta um erro humano banal ou uma falha técnica para que a situação fique fora de controle”, advertiu.

A China, principal aliada da Coreia do Norte, pediu calma e moderação a todas as partes envolvidas no conflito.

Já a França, outro membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, pediu que a China exerça toda a sua influência sobre seu aliado norte-coreano.

“Pedimos uma reunião do Conselho de Segurança e pedimos em particular aos chineses, que têm poder sobre a Coreia do Norte, que intervenham”, revelou o ministro francês das Relações Exteriores, Laurent Fabius, em declarações televisionadas.

Quando foi perguntado se temia que os norte-coreanos desencadeiem um ataque nuclear, Fabius respondeu: “São tão imprevisíveis que não podemos descartar nada”.

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