Entre irmãos bonjardinenses: a paixão une futebol e música em mesma partitura

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ascínio pelo esporte bretão fez despertar vertente criativa de compositores, responsáveis por dar alma às arquibancadas através de músicas feitas para o Trio de Ferro da Capital

Por: Júlia Rodrigues 

Irmãos e musicistas, Romero e Rogério são autores de composições em homenagem a Náutico e Sport

Artes distintas, com potências similares e muitas vezes indissociáveis. A paixão pela música se uniu ao fascínio pelo futebol e impulsionou três figuras a construírem parte do imaginário afetivo do Trio de Ferro da Capital. De um lado, os irmãos e musicistas Rogério e Romero Andrade, com diversas composições criadas para Sport e Náutico, respectivamente. De outro, um jornalista e fotógrafo, Rodrigo Baltar, que aprecia o ato de escrever letras de músicas como forma de demonstrar seu amor pelo Santa Cruz. A Folha de Pernambuco conversou com os três compositores, que conseguiram transcender os limites das notas musicais, levando aos times os sons que dão voz aos torcedores e alma às arquibancadas.

Brincalhão e natural de Bom Jardim, no Agreste de Pernambuco, Rogério dá as cartas de sua identidade logo de cara: “sou rubro-negro”. Aos 70 anos, o músico, bancário e torcedor do Sport é autor de um dos frevos-canção mais ouvidos no Estado, o famoso “Ninguém Segura o Sport”. O incômodo pela má fase do time, que chegou a ficar 12 anos sem ganhar um Campeonato Pernambucano, o incentivou a criar a música e, consequentemente, deixar sua marca registrada na história do Leão.

“Musicalmente evolui e fui convidado para fazer parte da orquestra de maestro Duda, que também é rubro-negro. A gente começou a tocar no Sport e tocamos por uns cinco anos. Nessa época, o Sport nada de ganhar campeonato. Desde 1962 que não ganhava nada. Já fazia 12 anos sem título estadual e haja gozação. Aí, a gente disse: ‘tem que fazer alguma coisa para rechaçar essa gozação. Foi quando surgiu a música ‘Ninguém segura o Sport'”, explicou Rogério.

Batizado em 10 de agosto de 1975, mesma época em que Rogério começou a frequentar ativamente a Ilha do Retiro, o frevo-canção virou símbolo dos jogos do Rubro-negro. No próximo ano, completará 45 anos de existência. O compositor recorda o momento em que mais se emocionou ouvindo a própria música, sob um cenário oposto ao que viu nos anos de baixa do Leão, dessa vez em 2009, com o Sport disputando a Copa Libertadores da América.

“Na época em que o Sport disputou a Libertadores, teve uma partida no Equador em que abriu (a transmissão do jogo) com minha música. Eu fiquei emocionado, nunca pensei que chegasse tão longe. A partir daí, a música começou a tomar uma dimensão grande e na Ilha, antes de tocar, o locutor faz o esparro: ‘e agora, como é, como vai ser e para sempre será?’…explode! E é muito emocionante ver 20 mil pessoas cantando a música”, confessa.

Professor de música, compositor, ator e torcedor. Romero Andrade é o único alvirrubro de sua família e compositor de várias canções do Náutico, as mais recentes feitas em alusão ao recente acesso à Segundona, intitulada “Timbu na Série B”, e ao primeiro título nacional da história do clube, “Campeão da Série C”. O torcedor foi aos Aflitos pela primeira vez em 1974, aos 14 anos, escondido dos pais, para assistir à Náutico x Santa Cruz. Na ocasião, o time de Rosa e Silva venceu o jogo (1×0), o segundo da final do Campeonato Pernambucano, e se sagrou campeão estadual, evitando o hexa da Cobra Coral. Alguns anos depois, as semelhanças de família não poderiam faltar. Assim como seu irmão Rogério, foi em um período de seca por títulos que o músico de 60 anos fez sua primeira composição para o Náutico.

“Comecei a frequentar ativamente o Náutico em 2001, num momento difícil porque fazia tempo que o time não era campeão. Eu já fazia música e aí surgiu a vontade de compor para o clube. Na época, não tinha ninguém fazendo, aí eu fiz uma e começou a brincadeira. Foi quando eu entrei para falar de música para o Náutico, para presentear e escrever minha história musical dentro do clube”.

Quase como uma previsão do que aconteceria naquele ano, Romero deu à música o nome de “Vermelho e Branco são as Cores da Alegria”. Para os alvirrubros, de fato, o momento era de êxtase. Em 11 de julho de 2001, o Náutico venceu o Santa Cruz por 2×0, no Arruda, e conquistou o histórico título estadual no ano do Centenário, dando adeus a um jejum que já durava 11 anos. A conquista serviu de incentivo para que novas composições fossem ouvidas e cantadas nos Aflitos.

Sob a benção da arte musical e da paixão pelo esporte, Rogério e Romero cantaram e tocaram juntos por seis anos. Para eles, a rivalidade entre Sport e Náutico nunca interferiu no laço familiar. Pelo contrário. Unidos, a competitividade fica apenas dentro das quatro linhas, enquanto seus violões se encarregam de tocar as canções já marcadas na memória dos dois clubes pernambucanos.

Fonte – https://www.folhape.com.br/esportes/sport/sport/2019/12/28/NWS,126293,66,548,ESPORTES,2191-PAIXAO-UNE-FUTEBOL-MUSICA-MESMA-PARTITURA.aspx

1 Comentário

  1. ROGÉRIO ANDRADE disse:

    Muito grato, Ênio, pela repercussão da matéria. Grande abraço.

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