Celpe identifica risco de incêndio no Holiday, mas moradores impedem ação da companhia

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19 de fevereiro de 2019

Por identificar um grande risco de acidente elétrico devido as centenas de ligações clandestinas e fiação antiga no prédio, a Celpe tentou cortar a energia do edifício

Outro ponto que preocupa a companhia é uma subestação que o Holiday abriga, onde está o maior foco do perigo de incêndio

Uma tentativa de corte de energia foi frustrada nesta segunda-feira (18) pelos moradores do edifício Holiday, em Boa Viagem, Zona Sul do Recife. A Companhia Energética de Pernambuco (Celpe) esteve no local para realizar o corte de energia do prédio, que apresenta alto risco de entrar em curto-circuito por conta da fiação antiga e de dezenas de ligações clandestinas com fios desencapados, o que pode causar um grave acidente, como incêndio, por exemplo.

O risco foi ignorado pelos moradores que temem ficar sem abrigo, apesar do alerta dos órgãos públicos. Com 17 andares, a construção abriga cerca de 3 mil pessoas em 476 apartamentos. Maria José Cordeiro, moradora do Holiday há 45 anos é uma das vozes que protestam contra a ação da Celpe. “Tenho medo de ficar sem minha casa. Minha vida toda foi aqui. Tenho uma família”, conta a comerciante.

Na tentativa de defender seu espaço, Maria José ainda relatou, em entrevista ao Jornal do Commercio, que já houve vários incêndios nos apartamentos, “mas não dá para passar de uma parede para outra, porque é feita de concreto”, supõe a moradora.

Para Fábio Barros, gerente operacional da Celpe, é preciso refazer toda a instalação, já que se trata de um prédio antigo, construído em 1956, e que ainda mantêm a fiação da época. “Há um risco iminente de acidente elétrico por conta das ligações clandestinas, emendas mal feitas e fiações antigas”, conta o funcionário que identificou o perigo durante uma inspeção no local.

Por lei, a companhia é autorizada a realizar o corte da energia, quando se identifica algum tipo de risco. “Isto é para manter a segurança das pessoas que residem e as que transitam diariamente pelo local”, relata o gerente, que, por impedimento da população precisou registrar um Boletim de Ocorrência relatando o ocorrido, para que as providências sejam tomadas.

Outro ponto que preocupa a companhia é uma subestação que o Holiday abriga, onde está o maior foco do perigo de incêndio, por conta da precariedade de como está sendo executada. Isto, segundo Fábio Barros, é de responsabilidade do próprio condomínio, já que está interno e sem qualquer manutenção da equipe qualificada.

“A Celpe quer abrir mão de responsabilidades porque a gente tem uma subestação no subsolo, mas para termos essa subestação, há 60 anos quando o prédio foi fundado, tiveram que pedir a autorização da companhia. Será que naquele tempo eles não perceberam que era problemático? Que isso era fora do padrão de segurança? E só estão constatando agora?”, indaga o síndico do prédio, Rufino Neto.

Rufino também alega que o risco de incêndio ronda o Holiday há 20 ou 30 anos. Frase também afirmada pela moradora Maria José, que acredita que a ação é um jogo de interesses de alguém que esteja disputando pelo terreno. “Não vejo risco de nada aqui”,  diz a comerciante. “Querem dizer que o prédio vai ter incêndio, que o prédio vai cair. Com certeza houve o interesse de comprar nosso terreno”, relata a mulher.

Mesmo com ação dos órgãos públicos na tentativa de encontrar uma solução para os 3 mil moradores do local, a administração interna encontra outros desafios. “Temos que ter dinheiro para fazer a reforma que querem. Não temos como pagar para refazer a rede elétrica, nem sabemos como começar”, pontua o síndico.

Reunião com poder público

A prefeitura e governo do Estado reuniram-se na semana passada com representantes do condomínio para estabelecer ações preventivas. Caso as exigências não sejam cumpridas, a solução pode ser a interdição do local.

“A gente tem a impressão de que isso vai cair a qualquer momento. É um prédio ótimo, muito bem localizado, mas os problemas hidráulicos e elétricos são evidentes. Muita gente não liga, mas eu procuro me informar e sei que o risco existe. São muitos vazamentos, as instalações são muito velhas e mal cuidadas”, aponta a autônoma Valdete Moraes de Lima, 60 anos, que há duas décadas vive no Holiday.

Para o secretário da Secretaria de Mobilidade e Controle Urbano, João Braga, “o que preocupa é o número de gambiarras, que podem causar um incêndio. Aí, sim, existe o risco de desabamento”. Mesmo após reunião com uma comissão formada por moradores do Holiday, as medidas emergenciais custam a serem aplicadas. “Caso não sejam tomadas medidas que reduzam os riscos dentro de 15 ou 20 dias, não teremos outra alternativa, a não ser a interdição”, afirmou João Braga.

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